Craques que marcaram
Desde 1911 o Brasil revela e acolhe grandes jogadores, maestros no mundo da bola. Alguns se tornaram ídolos com a camisa rubro-negra. São craques que marcaram época no Xavante, e que terão para sempre o nome gravado na história do clube.
- Milar
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- Nome completo:Roberto Cláudio Milar Decuadra
- Posição:atacante
- NascimentoMontevideo/URU 06/04/1974
- FalecimentoCanguçu 15/01/2009
- Jogou no Brasil de:2002 a 2009
- Jogos:207
- Gols:111
Cláudio Milar não foi apenas um ídolo no Brasil, ele se transformou em mártir vestindo a camisa rubro-negra. Desde que chegou ao clube da Baixada, em 2002, o atacante uruguaio demonstrou uma obstinação fora do comum em ajudar o Xavante. Com uma habilidade muito peculiar, o eterno camisa 7 do Brasil jogava solto, avançava pelas laterais do campo na base de raça e da criatividade, chegando sempre com perigo à meta adversária, e quando balançava a rede comemorava fazendo o tradicional gesto da flechada, em alusão a mascote do clube, o índio Xavante. Ele também tinha uma pontaria perfeita nas cobranças de falta e uma imensa identificação com a torcida rubro-negra, que o idolatrava por cada gota de suor derramada em nome clube.
Em 2004, Milar atingiu o ápice da passagem dele pelo Bento Freitas. No Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão daquele ano, o atleta revelado pelo Nacional (URU) marcou nada menos do que 34 gols, se tornando o maior artilheiro da história das competições gaúchas, e comandando o Brasil ao acesso que estava sendo aguardado há seis anos pela ‘maior e mais fiel’.
Com o sucesso da campanha Xavante, o goleador chamou a atenção de clubes estrangeiros e foi parar na Polônia, onde atuou pelo Pogon, em 2005 e início de 2006. Porém, naquele mesmo ano, a saudade falou mais alto do que a estabilidade financeira do clube europeu, e Milar retornou à Baixada para defender o clube que aprendeu a amar.
Com a mesma disposição de sempre, o uruguaio que já tinha até cidadania brasileira completou 200 partidas oficiais pelo Brasil, fez uma grande festa ao marcar o centésimo com a camisa do clube e viu o rosto pintado em bandeiras que tremulavam fervorosamente nas mãos de entusiasmados torcedores. Estava consolidada a imagem de Cláudio Milar como grande ídolo da massa rubro-negra. Ídolo até o trágico acidente de 15 de janeiro de 2009 (saiba mais em o clube > história > a noite que não acabou), porque depois daquele dia ele se eternizou como um verdadeiro mártir de toda a nação Xavante.
- Birinha
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- Nome completo:Ubirajara Machado Ferreira
- Posição:meio-campista
- NascimentoPasso Fundo/RS - 21/07/1941
- Jogou no Brasil de:1958 a 72
- Jogos:305
- Gols:64
Ao lado de Caçapava, Birinha formou o que para muitos torcedores Xavantes foi a melhor meia-cancha da história do time rubro-negro, e uma das melhores do futebol gaúcho de todos os tempos. Na época em que o craque atuava no Brasil, o setor de meio-campo era composto por apenas dois jogadores, e era o baixinho e franzino Birinha, com muita técnica, velocidade e extrema categoria, quem comandava a criação da equipe da Baixada.
O atleta de passes precisos e visão de jogo apuradíssima começou a carreira nas próprias categorias de base do Brasil. Ele ingressou no patamar profissional em 1958, pegando logo de cara um clássico BRA-PEL. Em 1967 o grande sucesso de Birinha com a camisa rubro-negra lhe rendeu uma transferência para o Juventude e passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, como Corinthians e Flamengo. Porém, o lugar dele era mesmo no estádio Bento Freitas, e três anos mais tarde Birinha estava de volta ao local onde tudo havia começado.
Depois do retorno, o camisa dez – que também era especialista em cobranças de falta e chutes de média distância – ainda jogou por mais dois anos antes de pendurar as chuteiras. O detalhe é que o último jogo dele foi justamente (ou coincidentemente) mais um clássico contra o rival áureo-cerúleo. Durante as duas passagens pelo clube da Baixada, além de virar um ídolo eterno, Birinha acumulou mais de 300 partidas, marcou 64 gols e conquistou incríveis 14 títulos. Mesmo após a aposentadoria, o craque não se desligou do time Xavante, e, em 1976, assumiu a função de técnico, comandando o esquadrão rubro-negro em 26 jogos.
- Galego
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- Nome completo:Paulo de Souza Lobo
- Posição:meio-campista
- NascimentoPiratini/RS 23/02/1926
- FalecimentoPelotas/RS 09/10/1996
- Jogou no Brasil de:1945 a 50
- Treinou o Brasil de:1953 a 92
- Jogos:637 (182 como jogador + 455 como treinador)
- Gols:76
Galego começou a fazer história no Brasil em 1944, quando ingressou nas categorias de base do clube rubro-negro. Naquele mesmo ano ele completou maioridade, por isso logo na temporada seguinte foi promovido para o elenco principal. Pois bastou o garoto se apresentar ao técnico Teté, para que ganhasse a titularidade absoluta na meia-cancha Xavante, onde ele atuava com maestria, tanto defendendo, quando armando as jogadas.
Porém, mesmo fazendo sucesso nos gramados gaúchos, o meio-campista resolveu pendurar as chuteiras com apenas oito anos de carreira, e 26 de idade. A decisão foi tomada depois que ele sofreu uma lesão no joelho, jogando pelo Cruzeiro de Porto Alegre. Tudo aconteceu em 1953, três anos depois do prata da casa ter sido emprestado, pelo Xavante, ao time da capital.
Para muitos, aquela lesão poderia significar um grande problema. Mas não para Galego, que viu ali uma oportunidade, e transformou o empecilho em uma brilhante carreira de técnico de futebol, que começou justamente no Brasil, ainda naquele ano. No início era um cargo provisório, entretanto os bons resultados lhe efetivaram para a profissão durante quatro décadas.
Depois que migrou do campo para casamata, Galego passou a ser ainda mais admirado em todo estado, principalmente por possuir um forte carisma e uma inquebrantável personalidade. Era um treinador bem humorado, mas, ao mesmo tempo, extremamente rígido nos horários e treinamentos, ás vezes perfeccionista até demais.
Os atletas respeitavam o mestre como se fosse um pai. E era assim que ele agia. Cuidava de todos com se fossem filhos. Tinha preocupação com os mínimos detalhes. Muitas vezes foi cozinheiro, massagista, roupeiro, conselheiro, amigo e segurança, pois se algum atleta pensava em dar uma escapulida da concentração, lá estava o comandante de olho bem abertos.
Por ser muito apegado à família, Galego nunca aceitou os convites da dupla GRE-NAL. Ele só trabalhava em clubes que ficassem perto de casa, na região sul do estado, como Bagé, Farroupilha, São Paulo e Pelotas, por exemplo. Claro que a maior parte carreira foi mesmo construída no segundo lar dele, a Baixada. Comandando o Brasil, Galego conquistou 30 títulos, o último deles foi o da Copa Clébel Furtado, em 1992.
‘O futebol é gostoso, só me trouxe alegrias e só não é bom se comparado a uma partida de pingue-pongue jogada com vento’, dizia o filosófico Paulo de Souza Lobo, o Galego, também conhecido como a ‘lenda do interior’.























