Por Fabrício Cardoso
A matemática é uma ciência exata? Bem, talvez essa não seja uma verdade aplicável à Baixada. Ali, uma centena produz alegria que outros só conseguem com milhares e olhe lá. Um time com 10 jogadores se enche de bravura e parece ter 12, 13, 14, quantos forem necessários para honrar a camisa. E o 1 a 0 contra o São José, arrancado com um canhotaço de precisão e força obtidas no limite do equilíbrio de Luizinho, desequilibrou a alma. Valeu infinitamente mais os 3 a 0 metidos neles, dias atrás.
Foram mais três pontos, roçando o G-4, numa noite em que os números a partir daí se emudecem, incapazes de descrever um estádio que contraria as equações. Tudo veio numa entrega coletiva, mas da qual dá para pinçar alguns destaques, sem medo de injustiças. Marcelo, por exemplo, mais uma vez demonstrou saber bem mais que os seus 20 e poucos anos. Não se desfez de seus planos. Dizer dele um muro seria modéstia. Foi uma barragem, dessas raras, que não arrebentam.
A zaga também esteve segura. Rafael Castro estava soberano, de cabeça erguida. Entregou-se tanto que saiu lesionado, permitindo a estreia do Gilberto Alemão. E não é que o cara deu uma de pivô, passando açúcar de confeiteiro para o arremate fatal de Luizinho? Marcelinho foi expulso, o adversário meio que se assanhou, mas, no Bento Freitas, às vezes menos é mais.
Os comentaristas, dados a leituras racionais do jogo, hão de chamá-lo de feio, renhido, de técnica escassa. Mas, lá onde até os números são metáfora, a noite se fez bela demais. Restabelece o prumo. Desafia o óbvio. Extrai o bastante para seguir confiante.
No domingo, às 16h, é na Baixada de novo. Esqueçam a calculadora, o Excel e o ábaco. É dia de perverter a matemática diante do Novo Hamburgo. Quem se soma?