Por Fabrício Cardoso
Daria para dizer que foi uma tarde em que tudo deu certo, mas isso abre espaço para se imaginar que a vitória de 3 a 0 sobre o São José foi também obra da sorte. Mas isso não seria justo com nossos caras. O que se viu numa Baixada primeiro escaldante, depois molhada, foi um time entregue ao que vem trabalhando incansavelmente há exatos 30 dias, debaixo de calor.
E mais: venceu jogando daquele jeito que nós, Xavantes, até temos certa dificuldade de explicar em palavras, mas percebemos desde sempre. Há algo diferente quando alguém, defendendo nossa camisa, briga como mesmo faríamos se estivéssemos em campo. Coisas lindas costumam acontecer quando essa alma é absorvida pelos jogadores, como se viu hoje.
O primeiro gol nasceu justamente dessa determinação. Thiago Santos disputou a bola na intermediária defensiva e distribuiu. Em seguida, correu para a área. Foi ali que a bola trabalhada com carinho na esquerda, saiu dos pés de Marllon e o encontrou, açucarado feito um doce de Pelotas. Tiro no canto e um a zero.
Thiago Santos também protagonizou o segundo gol. Após jogada ensaiada, cabeceou com endereço, não fosse o zagueiro do Zequinha recorrer à regra do vôlei para impedir o gol, que Marllon fez, de pênalti.
O terceiro veio de uma novidade: o apetite de volantes por bater a gol. Karl experimentou de fora da área, o experiente goleiro Fábio não pagou para ver, espalmou em tom de segurança, mas, pô, na frente do Joanderson não rola. Canhota nela e 3 a 0.
O Brasil, apesar do calor, manteve o jeito aquele no segundo tempo. Por que o placar não foi dilatado? Porque, entre outras coisas, Jerson Testoni pôs muitos atletas paga jogar, inclusive os recém promovidos da base. A defesa esteve sólida. Tanto que Marcelo só fez uma defesa, de leve, para não ser convidado pela central do sócio a se associar, depois de ver o jogo tão de pertinho. Por fim, uma chuva veio lavar a tarde que parecia um reencontro, tal a expressão do verdadeiro espírito Xavante dentro de campo.